Flores do Jardim

Após responder ao anúncio de “procura-se guitarrista” para a falecida Oompaloompa, recebi algumas músicas em mp3. As guitarras não eram nada a minha praia. Mas era possível perceber que tudo girava em torno das canções. A forma procurava unicamente dar suporte ao conteúdo, algo raro nos dias de hoje. E era isso que eu estava procurando. 

O vocalista me deu liberdade para apresentar um novo arranjo de guitarra que fosse mais a minha cara. Uma das primeiras canções que tirei foi “Flores do Jardim”. Naqueles dias estava ouvindo muito Smiths. Rearranjei as partes de guitarra incluindo pequenas frases e encrementando a harmonia.

No primeiro ensaio/teste liquei meu velho chorus CE-3 e toquei com a banda no melhor estilo “cria do Johnny Marr”. Logo após o último acorde percebi os olhares de reprovação. Ninguém falou nada. Mas os olhares disseram tudo. Perguntei: “Drive, né?”. Rodrigo apenas consentiu com a cabeça. Espetei a Crush direto no ampli, girei o potenciômetro de ganho e toquei exatamente o mesmo arranjo. Naquele momento começou a nascer o som de guitarra do COMODORO TRUFFAUT.

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